domingo, 26 de julho de 2015

Brasileiros consomem menos álcool, mas seguem entre os que mais bebem na AL

  • Há 5 horas
Estudo prévio aponta álcool como a maior causa de mortes entre jovens brasileiros entre 15 e 19 anos
Os adultos brasileiros bebem, em média, 8,7 litros de álcool puro por ano - quantidade que já foi maior, mas continua sendo uma das mais altas nas Américas e supera a média mundial, segundo um recente informe da Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com a medição, baseada em dados compilados entre 2008 e 2010, o país tem a nona maior média de consumo alcóolico, entre 35 países pesquisados no continente (veja a tabela abaixo).
Nos três anos anteriores, os adultos brasileiros consumiam 9,8 litros de álcool puro, terceira maior média do continente.
Segundo a brasileira Maristela Monteiro, assessora principal sobre abuso de substâncias e álcool da OMS, há uma cultura de consumo de álcool instalada na América Latina, criando um importante problema de saúde pública regional.
Na América Latina e no Caribe, as pessoas consomem em média 8,4 litros de álcool puro por ano, 2,2 litros a mais do que a média mundial, diz a OMS
A consequência é que, em 2012, houve uma morte a cada 100 segundos em decorrência do álcool - 80 mil mortes poderiam ter sido evitadas naquele ano caso o consumo de álcool não tivesse ocorrido.
Leia mais: Como o álcool afeta a capacidade de direção
"Em geral, o consumo de álcool e os danos resultantes são relativamente altos nas Américas, em comparação às demais regiões do mundo", aponta o estudo.

Consumo per capita

O consumo per capita por homens brasileiros é de uma média de 13,6 litros de álcool puro por ano, segundo medição feita pela OMS com adultos entre 2008 e 2010. Apenas cinco países da região superam esse nível de consumo.
Entre as mulheres brasileiras, o consumo per capita é de 4,2 litros de álcool puro por ano.
O relatório da OMS cita outro estudo que identifica o álcool como a maior causa de mortes entre jovens brasileiros entre 15 e 19 anos. E, "ainda que o Brasil tenha repetidamente imposto leis para baixar o limite legal de teor alcóolico no sangue e aumentar as penas para quem bebe e dirige, esses esforços não têm tido efeitos duradouros na segurança viária", aponta o texto.
Além disso, a organização calcula que o consumo de álcool contribua com mais de 200 doenças ou lesões, como cirrose hepática e alguns tipos de câncer. Também torna as pessoas mais suscetíveis a doenças infecciosas, como HIV e tuberculose, e menos receptivas ao tratamento.
Leia mais: Médicos gêmeos 'cobaias' comparam efeito de porre com consumo social de álcool
Acidentes causados por pessoas alcoolizadas são um dos principais problemas de segurança e saúde associados ao consumo de álcool
A cerveja é apontada como a bebida alcóolica mais popular na região: representa 55% de todo o álcool consumido, seguida por destilados como vodca e uísque (cerca de 30%) e o vinho, com quase 12%.
Mas o que explica o alto consumo de bebidas alcóolicas na região?
"Algo está mudando na América Latina", diz Monteiro à BBC Mundo. "Nunca houve uma forte cultura de consumo na região, mas o desenvolvimento econômico e novos valores importados da globalização estão fazendo com que o consumo excessivo e abrupto seja uma tendência."
Além disso, Monteiro menciona fatores como o crescimento da indústria de bebidas.
"O álcool chega a todas as partes: foram melhoradas as cadeias de distribuição, há mais estabelecimentos e oferta e tampouco é desprezível a pressão que a indústria sabe exercer sobre os governos para que os preços do álcool fiquem baixos e não haja regulações."

Consumo excessivo

A situação tem piorado, segundo a OMS: em 2005, 18% dos consumidores masculinos relataram ter tido episódios de forte consumo de bebidas alcóolicas (quatro ou cinco bebidas em ao menos uma única ocasião ao longo de 30 dias). Essa porcentagem subiu para quase 30% em 2010.
Entre consumidoras mulheres, essa porcentagem também subiu, de 4,6% para 13% no mesmo período.
Aumentaram os episódios de consumo excessivo de álcool, entre homens e mulheres
Na região, um a cada cinco consumidores (22%) pratica episódios de consumo alcóolico excessivo, contra 16% da média global.
Para Monteiro, um dado particularmente relevante é que apenas 10% dos consumidores bebem, em média, mais de 40% de todo o álcool consumido na região.
"Não se trata de tomar uma quantidade moderada por gosto ou por saúde, como por exemplo o vinho. O consumo se concentra em grandes doses", diz a especialista. "Especialmente entre os jovens, que o veem como uma espécie de ritual com prestígio social."
Leia mais: O café corta os efeitos do álcool?
Em 2010, cerca de 14 mil jovens de menos de 19 anos morreram na região por motivos relacionados à bebida alcóolica.
"A América Latina e o Caribe estão pagando um preço alto em saúde, recursos financeiros e produtividade" por causa desses excessos, observa Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não-Transmissíveis e Saúde Mental da OMS.
Para Monteiro, "o álcool não afeta só quem bebe. Aumentam os episódios de violência e os acidentes de trânsito e baixa a produtividade do país por culpa não só de faltas ao trabalho, mas sim pelo que se conhece como 'despresentismo', ou seja, pessoas que chegam ao local de trabalho sem forças (pelo efeito do álcool)."
Ela defende que os governos elevem os impostos sobre o álcool, para encarecê-lo; limitem horários e dias de venda de bebidas nos estabelecimentos; subam a idade legal mínima para o consumo; e reduzam ou proíbam sua publicidade (70% dos países não têm regulamento para tal).
Monteiro também fala em uma mudança cultural e educacional. "É preciso acabar com o prestígio social de beber álcool", di

terça-feira, 21 de julho de 2015

Crônica
21-07-15

Para o amigo e o amigo do amigo

Bom dia amigos do dia, da noite, de fora e de dentro, das madrugadas longas e enluaradas. Amigos da cidade, das trilhas empoeiradas, das filas quilométricas de espera para sermos atendidos pelos médicos; das barracas de feiras onde a gente se acostuma a comprar mantimentos sempre no mesmo lugar.
Amigos do primeiro pileque, dos segredos dos flertes e das confidências das paixões embutidas. Amigos que com quem dividimos a conta ou aqueles que pagam no nosso lugar quando o liseu bateu, os quais a gente nunca lembra de devolver o dinheiro ou de cobrar-lhes, e ainda nos sentimos satisfeitos por sabermos que da parte deles e da nossa a confiança vai continuar.
Eu poderia continuar desfiando esse rosário de qualidades que só em amigos a gente sabe enxergar.   Mas, prefiro me sentar à mesa rodeada dos poucos  amigos que ainda tenho (por que alguns a vida se encarregou de levar) e com eles prosear.  Se não puderem comparecer ao chamado à farra vou entendê-los, pois, a eles, não costumo falhar.
Enfim, a todos os que me restam dedico-lhes essa metáfora: grandes ou pequenos, altos ou baixos; gordos ou magros; profundos ou rasos não importa: somos amigos. E por sermos assim a gente se aproxima, se toca. Abraça-se, beija-se, mas não se acorrenta um ao outro. Os amigos são livres. Voam como pássaros, grudam quando preciso. Fazem do nosso ouvido... um divino divã de despejo. Choram as lamúrias, desconjuram o destino. O tempo passa e de uns a gente nem ouve falar. E, quando menos esperamos lá estão eles numa roda de novos amigos que, com a gente, começa  a partilhar.
Amigo, mesmo longe está presente, mas também é um incessante movimento de ir e voltar e a gente tem sempre reservado um abraço e o perdão para lhe dar e um punhado de gargalhadas para trocar.

(Sirleide Pereira - 21/07/2015).
*Pedido a gente só faz a amigo: compartilhe com outros amigos que nem conheço, mas que um dia gente pode se esbarrar

quarta-feira, 24 de junho de 2015

BRASIL

Seca ameaça transposição do São Francisco

Região enfrenta maior estiagem dos últimos cem anos. Especialistas alertam que projeto pode sofrer com a falta d'água quando ficar pronto, em 2017. Governo, porém, confirma viabilidade mesmo com seca.
Quando lançado em 2007, o projeto para a transposição do Rio São Francisco prometia levar água a milhões de brasileiros a partir de 2010. Cinco anos depois, no entanto, a obra ainda não foi entregue, e uma ameaça paira sobre o maior projeto de infraestrutura hídrica do país: a pior seca na região dos últimos cem anos.
A estiagem fez com que o rio atingisse níveis críticos na última semana, o que levou a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) a diminuir a vazão para 900 metros cúbicos por segundo em tempo integral, visando evitar que os reservatórios das usinas hidrelétricas da região fiquem sem água, caso a seca persista no próximo ano.
Essa situação também coloca em questão o sucesso da transposição do Rio São Francisco. O impacto da estiagem sobre o projeto é controverso. Apesar de ainda estar em fase de obras, críticos já afirmam que existe um risco da transposição fracassar devido à falta d'água.
O governo, porém, garante que a captação será mínima e não há perigo de o projeto se tornar um elefante branco.
Clima complexo
Um dos maiores problemas para a garantia do sucesso do projeto é a complexidade do clima e de ecossistemas, pelos quais o "Velho Chico" passa. O geógrafo Aziz Ab'Saber, que morreu em 2012, foi o maior crítico da transposição. Em seus trabalhos, ele já previa que a seca poderia atrapalhar o empreendimento e criticava a falta de estudos amplos sobre as áreas que irão receber e fornecer as águas.
A geógrafa Rita de Cássia Ariza da Cruz, da USP, não descarta a possibilidade de faltar água para a transposição. Ela aponta dois motivos que podem contribuir para esse cenário: o clima e o próprio projeto.
"Por um lado, não é possível prever, com precisão, o comportamento do clima que atinge a região, considerando a extensão e a regularidade das chuvas, por exemplo. Por outro lado, a transposição deverá implicar em um aumento considerável no uso das águas do rio e, portanto, maior demanda e menor disponibilidade hídrica", reforça da Cruz.
Para o geógrafo Flávio Rodrigues do Nascimento, da Universidade Federal Fluminense, se a estiagem persistir por mais alguns anos, a diminuição na quantidade de água do São Francisco pode impactar diretamente na transposição. "Se projeto estiver concluído nesse período, com certeza, pode haver um problema muito sério", diz o especialista em semiárido.
Nascimento ressalta a complexidade do clima na região e acrescenta que, mesmo se o longo período de estiagem acabar, será preciso gerenciar adequadamente o uso da água para evitar um colapso, devido à demanda do projeto e das hidrelétricas. Dessa maneira, a quantidade de água distribuída pela transposição tende a ser bem menor do que o previsto.
Água para todos
Apesar das críticas, o governo federal, por sua vez, afirma que o projeto não está ameaçado com a seca. Tanto o Ministério da Integração Regional, responsável pela obra, quanto a Agência Nacional de Águas (ANA), que concedeu a autorização para o uso dos recursos hídricos, garantem a viabilidade da transposição.
"Mesmo que o projeto já estivesse operando não haveria risco nesse momento para transposição. Isso porque o problema atual da seca no São Francisco é em relação aos níveis d'água e não à quantidade de água disponível", afirma Carlos Motta, especialista em recursos hídricos da ANA.
Segundo Motta, o projeto prevê a retirada de 26,4 metros cúbicos por segundo em momento de escassez. Quando há excesso de água na bacia, a retirada pode chegar a 127 metros cúbicos por segundo.
O Ministério da Integração Regional reforça ainda que o menor volume a ser bombeado pelo projeto representa apenas 1,4% da vazão média do rio.
Transposição
O projeto prevê levar água a 390 municípios dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, abastecendo 23 açudes e 27 reservatórios. Sua extensão é de 477 quilômetros, divididos em dois eixos de transferência, o norte e o leste.
A expectativa é de beneficiar 12 milhões de pessoas. Até o momento, o governo federal já investiu 6,5 bilhões nas obras. Ela foi orçada em 8,2 bilhões. Cerca de 76% das obras do eixo norte já foram executadas e 72,4% do eixo leste.
As obras devem começar a ser entregues ainda neste ano. A transposição deve ser concluída, porém, apenas em 2017, segundo o Ministério da Integração Regional.

MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO

  • Data 24.06.2015
  • Autoria Clarissa Neher

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cientistas criam morfina 'caseira' a partir da fabricação de cerveja

  • 20 maio 2015
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Levedura usada na produção de cerveja foi geneticamente modificada
Cientistas descobriram uma forma de produzir morfina usando o método aplicado na produção de cerveja artesanal.
Eles modificaram geneticamente leveduras para que estes fungos realizem um processo químico complexo capaz de transformar açúcar no narcótico.
O estudo foi publicado no periódico científico Nature Chemical Biology e é visto de forma promissora por médicos.
Mas também gerou preocupações sobre a possibilidade de serem criadas drogas "artensanais".

Solução

Para produzir cerveja em casa, é necessário usar leveduras microscópicas que transformam açúcar em álcool.
Mas, ao usar DNA de plantas, pesquisadores conseguiram criar leveduras capazes de ter a morfina como resultado final deste processo químico.
Um estágio desta produção - que resulta em um composto químico intermediário conhecido como reticulina - era um obstáculo para este objetivo.
Isso foi solucionado por uma equipe da Universidade da Califórnia, em Berkley.
"O que queremos fazer é alimentar a levedura com glucose, uma forma barata de açúcar, para que ela seja capaz de transformá-lo em uma droga terapêutica", afirma o bioengenheiro John Duebe.
"Em nosso estudo, descrevemos todos os passos necessários para isso. Agora, é uma questão de conectá-los e criar um processo capaz de produzir em escala. Não é algo simples, mas é possível."

Papel vital

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Até hoje, morfina exige a colheita de papoula para ser produzida
A morfina tem um papel vital no alívio de dores em pacientes em hospitais, mas requer a colheita de papoula para ser produzida.
A morfina caseira poderia ser mais fácil de ser feita e permitiria a cientistas alterar as etapas de sua confecção para desenvolver novos tipos de analgésicos.
O conceito de usar organismos microscópicos para produzir narcóticos não é algo novo na medicina.
A insulina usada por pacientes com diabetes tem sido produzida a partir de bactérias geneticamente modificadas há décadas.
Mas existe uma preocupação de que os mais recentes avanços nestas técnicas possam abrir caminho para a produção de drogas em casa.

'Habilidades básicas'

"A princípio, qualquer um com acesso a este tipo de levedura e as habilidades básicas de fermentação poderiam produzir morfina usando um kit utilizado para fazer cerveja", explica um comentário sobre o estudo também publicado no periódico científico, que recomenda um maior controle destes microorganismos transgênicos.
Paul Freemont, um dos diretores do Centro de Biologia Sintética e Inovação do Imperial College, em Londres, no Reino Unido, acredita que o assunto deve ser tratado com seriedade, já que permite produzir narcóticos que podem vir a ser usados ilegalmente.
"Hoje, não é fácil produzir este tipo de levedura do ponto de vista técnico, mas e no futuro?", questiona Freemont.
"Por isso, é importante pensar em como devemos regular estas novas variedades."

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Peixe faz mesmo tão bem assim para a saúde?

  • Há 14 minutos
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Presença de ômega-3 fez peixes serem considerados alimentos saudáveis
Hoje é Sexta-Feira Santa, dia em que muitas pessoas trocam carne vermelha e frango por peixes - alimento que tem uma excelente reputação como fonte de nutrientes altamente benéficos para a saúde.
Mas os peixes realmente fazem tão bem assim? Se sim, qual é o melhor peixe do ponto de vista nutricional?
A resposta não é tão simples.

Ômega 3

Nos últimos anos, a boa reputação do peixe esteve associada à presença de ômega 3, ácidos graxos essenciais que o corpo não produz a partir de outras substâncias - são "poli-insaturadas" -, encontrados em abundância em certos peixes.
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Mercado de óleo de peixe cresceu nos últimos anos
Durante muito tempo a ciência apoiou e incentivou o consumo de peixe. Estudos sugeriam que o consumo era bom para o coração, o desenvolvimento do cérebro e o crescimento.
O ômega 3 começou a ser adicionado a certos alimentos, como leite, sucos e cereais, e uma indústria de suplementos de óleo de peixe floresceu.
Mas, mais recentemente, pesquisas ligaram o ômega 3 a um risco maior de desenvolver certos tipos de câncer (como o de próstata) e descartaram que o consumo de suplementos de óleo de peixe reduz o risco de doenças cardíacas.
Também descobriu-se que o excesso de ômega 3 pode aumentar o risco de acidente vascular cerebral.
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Especialistas recomendam ingestão de peixes gordurosos uma vez por semana
"Foram atribuídos ao ômega 3 diversos benefícios sobre os quais não se têm certeza", disse à BBC Eduardo Baladía, editor da revista Nutrição Humana e Dietética e promotor do Centro de Análise de Evidência Científica da Fundação Espanhola de Dietética e Nutrição (FEDN).
"Na verdade, temos dúvidas sobre o ômega 3. É muito problemático dizer que consumi-lo faz bem para a saúde."

O quadro completo

Um ponto sobre o qual os especialistas concordam é que o valor nutritivo do peixe não começa e não termina no ômega 3.
"Se você pudesse dizer, com certeza, que os benefícios de comer peixe se originam inteiramente na gordura poli-insaturada, então ingerir pílulas de óleo de peixe seria uma alternativa a comer o próprio peixe. Mas é mais provável que uma pessoa precise da totalidade das gorduras dos pescados, suas vitaminas e minerais ", escreveu Howard Levine, chefe editorial da publicação de Saúde da Universidade de Harvard, em um artigo em 2013.
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Poluição no mar leva substâncias tóxicas a alguns tipos de peixe
"Às vezes nos fixamos demais em supernutrientes e superalimentos", diz Eduardo Baladía.
"A ingestão de peixe substitui o consumo de carne, que têm gorduras menos saudáveis. Isso podemos considerar verdade absoluta. E, só por isso, já é interessante comer peixe", completa.

Então, qual peixe?

Em revistas e jornais, inúmeros artigos recomendam a opção por peixes com mais gordura, porque eles são ricos em ômega 3.
A Clínica Mayo, em Rochester, nos Estados Unidos, por exemplo, diz que "peixes gordurosos, como salmão, truta, arenque e atum, contêm mais ômega 3, e, assim, proporcionam benefício maior."
Baladía, por sua vez, acha que há espaço para peixe com baixo teor de gordura - e, portanto, calorias.
"Especialmente em uma sociedade em que o consumo de energia é alto, em que as gorduras saturadas e o colesterol são elevados, uma refeição sem isso, feita apenas de proteínas, é atraente", diz ele.

Semana Santa o ano todo?

Mas o conselho é não transformar a dieta da Sexta-Feira Santa em rotina o ano todo.
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido recomenda comer apenas uma porção de peixe gorduroso por semana - por causa de sustâncias tóxicas, como o mercúrio, presentes nestas espécies devido à contaminação das águas - e quantas vezes quiser de peixes pouco gordurosos.
Mas todos concordam que frutas e verduras ainda são a chave de uma alimentação saudável.
Fonte: BBC.uk.co

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Demanda fraca derruba exportações globais de uísque escocês

  • 1 abril 2015
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(PA)
Vendas para o Brasil caíram 20% em 2014; associação do setor culpou 'condições econômicas' e 'volatilidade política'
Após uma década de crescimento ininterrupto, as exportações de uísque escocês caíram 7% em 2014, em decorrência da menor demanda global pelo produto, informou a principal entidade do setor.
De acordo com a Scotch Whisky Association (SWA), as vendas do destilado para o exterior totalizaram 3,95 bilhões de libras (R$ 18,7 bilhões) no ano passado.
A queda se deveu em parte à redução das exportações para os Estados Unidos, o maior mercado consumidor de uísque escocês por valor, onde as vendas caíram 9%, para 748 milhões de libras (R$ 3,5 bilhões).
A SWA culpou o que chamou de "condições econômicas mais fracas e volatilidade política" em alguns mercados.
No entanto, a entidade diz ter esperanças em uma retomada das vendas, alegando que o cenário de longo prazo para o setor se mantinha favorável por causa do forte crescimento em muitos mercados emergentes.
As exportações para Taiwan, por exemplo, cresceram 36% para 197 milhões de libras (R$ 934 milhões), em parte devido à popularidade crescente do uísque puro malte.
Já as vendas para a Índia subiram 29% para 89 milhões de libras (R$ 422 milhões), apesar de uma tarifa de importação de 150%.
Por outro lado, as exportações para o Brasil caíram 20%, para 80 milhões de libras (R$ 379 milhões), em decorrência da valorização da divisa britânica. Em termos de volume de uísque exportado para o país, no entanto, não houve crescimento ou queda na comparação com 2014.
O Brasil é o 13º principal destino das vendas de uísque escocês no mundo, à frente de países como Canadá, Japão e Holanda.
O importante mercado dos Emirados Árabes Unidos continuou a crescer, com alta de 27% nas exportações.
No entanto, as vendas para Cingapura caíram 39%, para 200 milhões de libras (R$ 948 milhões).
A SWA informou que as quedas nas vendas à cidade-estado se deveram à campanha de austeridade promovida pela China – o destino final da maior parte do uísque escocês que sai do Reino Unido rumo a Cingapura.
Já as exportações diretas para a China, o 26º maior mercado em valor, caíram 23%, para 39 milhões de libras (R$ 185 milhões).

'Produto autêntico'

A SWA acrescentou que a queda de 9% nas exportações para os EUA, o principal mercado, se deveu em parte aos ajustes de estoque e à concorrência do mercado de destilados.
As vendas para a França, o maior mercado para uísque escocês em volume e o segundo maior em valor, cresceram 2% para 445 milhões de libras, indicando que o mercado francês se estabilizou depois que o governo do país aumentou o imposto sobre o destilado.
Apesar da queda, as vendas externas parecem ter tido um desempenho melhor na segunda metade do ano passado, o que foi interpretado como um sinal de otimismo pela indústria.
O executivo-chefe SWA David Frost disse: "Fatores políticos e econômicos em alguns importantes mercado fizeram as exportações de uísque escocês recuar em 2014 depois de uma década de forte crescimento".
"Isso mostra que o sucesso da indústria não pode ser encarado como certo e que devemos continuar a lutar por mais mercados abertos e acordos de comércio ambiciosos para derrubar as barreiras de acesso a alguns mercados".
"Os fundamentos a longo prazo permanecem fortes, na medida em que consumidores nos mercados emergentes manifestam interesse de comprar uísque escocês como um produto autêntico e de alta qualidade, com uma forte reputação e procedência legítima".
"Isso impulsiona o forte investimento na produção de uísque na Escócia e o interesse significativo do país nesse setor".