quarta-feira, 28 de novembro de 2012


Pense num decassílabo gostoso de ler!
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Peleja virtual de Ismael Gaião (IG) e Júnior Vieira (JV)

IG-  Eu sou um furo de espinho
Que entra como uma cunha
Entre o couro e a unha
Pelo seu dedo mindinho.
Sou um prego no caminho
Entrando no seu pé nu,
Sou almoço de urubu,
Sou o chulé no sapato…
Eu sou o mijo do rato,
Mas sou melhor do que tu.                           
 
JV- Sou um carrasco sem pena,
Eu sou o cocô do gato,
Sou um prego no sapato,
Sou sobejo de hiena.
Eu sou a gota serena,
Pior que cobra urutu,
Sou a bufa do timbu,
A mijada da ticaca,
Veneno de jararaca,
Mas sou melhor do que tu!                           

IG- Sou membro do mensalão
E a pregação de um crente.
Eu sou uma dor de dente
E a mágoa da traição.
Sou um petista ladrão.
Sou um corte com bambu.
Sou filho de belzebu,
Marido de uma “gaieira”
Sou sócio de Cachoeira,
Mas sou melhor do que tu!                           

JV- Eu sou a pior megera,
Doença que cai a língua.
Sou a mula que dá íngua,
Faço medo a besta fera.
Sou a doença que impera
No couro do cururu,
Serro te de caititu,
Que arranca os dedos da mão.
Sou o câncer de pulmão,
Mas sou melhor do que tu!

IG- Sou anão do orçamento
Que roubou nossa nação,
Picada de escorpião
E o coice de um jumento.
Sou pé frio d’um azarento,
Chifrada de boi zebu,
Mordida de pit bull,
Veneno de uma coral.
Sou o fim do carnaval,
Mas sou melhor do que tu!                          

JV- Sou o pior traficante,
Sou um rato de esgoto.
Eu sou o fim do arroto,
Sou patada de elefante.
Sou lepra contagiante,
Doença do gabiru,
Chefe do Carandiru,
Sou ladrão, sou desordeiro,
Estuprador, maconheiro,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
IG- Eu boto fogo em mendigo
Que dorme pelas calçadas.
Em veado dou lapadas.
Qualquer criança eu castigo.
Sou a lagarta no trigo,
Na ferida, o tapuru…
Pra mulher sou brucutu,
Pro velho, dor de barriga.
Vivo procur ando briga,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
JV- Quando meu pai mata um
Sou eu que assino embaixo.
Eu toco fogo em despacho
E sem remorso nenhum,
Eu provoco zum, zum, zum,
Faço o pior sangangu;
Meu pai cria buruçu…
É genética, a gente herda,
E boto fedor em merda,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
IG- Sou um “bebo” pegajoso
Que cospe na tua cara.
Sou ferida que não sara,
Sou covarde e mentiroso.
Sou vagabundo e seboso
E aguado como chuchu.
Sou cobra surucucu
Engolindo um roedor.
Sou freguês mal pagador,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
JV- Adoro falar mentira
E desconheço o perdão.
Eu inventei traição,
Tédio, ódio, raiva, ira…
Somente o mal me inspira,
Arranco carnegão cru,
Eu sou pivô de rebu,
Só compro tudo fiado,
Dou em cego e aleijado,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
IG- Sou um grande puxa-saco
Sou traidor, inseguro…
Eu vivo em cima do muro,
Sou cafajeste e velhaco.
Jogo um irmão num buraco
Pra ganhar qualquer tutu.
Eu desafio o vodu
Para me dar bem na vida…
Sou justiceiro homicida,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
JV- Puxo faca pra irmão,
Com minha mãe eu discuto,
Confesso que fico puto
Se não vejo confusão.
Viro frango, sapatão,
Passo quinau, dou pitu,
Abalei Caruaru,
Lá eu causei terremoto…
Só gente ruim eu adoto,
Mas sou melhor do que tu!               
 
IG- Sou chefe de um arrastão,
Sou decisão que malogra,
Sou a visita da sogra
Quando tem feriadão.
Sou Domingão do Faustão,
Sou sal grosso em cururu.
Sou tarado andando nu
Atrás de uma sodomia,
Sou um padre em pedofilia,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
JV- Eu me viro na mazela,
Atrapalho a tua rima,
Sou bomba de Hiroshima,
Eu sou a febre amarela.
Pior que erisipela,
Sou espírito belzebu,
Me viro no cafuçu,
Rezo o credo atravessado,
Deixo o capeta amarrado,
Mas sou melhor do que tu!                           
 
IG- A migo Júnior Vieira
Tô adorando a peleja
Só tá faltando a bandeja
Pra gente fazer a feira…
Nessa nossa brincadeira
Eu me lembrei de Xudu.
Não sou um Zezé Lulu,
Porém não canto tão ruim…
Tu não ganhaste pra mim,
Também não ganhei pra tu!                           
 
JV- Ismael, pra encerrar
Desfaça que eu desfaço.
Me abrace que eu lhe abraço,
Pra quê a gente brigar?
E eu não quero botar
Veneno no teu angu…
Vamos pescar um pacu,
Pois aqui ninguém perdeu…
Nem tu és melhor que eu
Nem sou melhor do que tu!










sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Professor Saturnino. (2)

Professor Saturnino
e o Clube dos Inocentes

Como não recordar o Prof. José Saturnino? Aquela figura afável, comunicativa! Saturnino dominou o cenário natalense com sua presença, sua personalidade e sua participação ativa nos meios culturais e pedagógicos de nosso Estado e, particularmente, da nossa cidade de Natal. Professor de várias gerações, deixou a marca de seu caráter, dos seus conhecimentos e ensinamentos de vernáculo em cada uma delas. Todos os seus ex-alunos,. amigos e colegas lembram-se dele com verdadeiro carinho e veneração. Falar em Saturnino desperta a saudade de sua convivência.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Clube dos Inocentes (1)

 A capa do livro do falecido professor José Melquíades de Macedo,  "Saturnino, Cascudo e o CLUBE DOS INOCENTES, editado em 1992, em Porto Alegre/RS, é a primeira ilustração da nova feição deste novo blogue que criamos para preencher um ´pouco do espaço "vazio" do nosso cotidiano e resgatar a memória de um maiores e melhores pontos da antiga boemia natalense. O livro tem prefácio de Arnaldo Arsênio de Azevedo, orelha de Diógenes da Cunha Lima, opiniões e elogios  desses dois citados, além de Waldson Pinheiro, João Batista Pinheiro Cabral e Enélio Lima Petrovich.
Posted by Picasa

terça-feira, 24 de julho de 2012

Blogue acaba no próximo domingo.

Com a venda do terreno e casa, o Bar de Lourival acabou-se. Por isso, este blog tem fim marcado para o dia 29, domingo. Este blogue será substituído por outro blogue. Tivemos mais de seiscentos acessos em três meses. Foi bom.
Tchau.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Comidas quentes para noites frias de julho.

 
 
Dizem que no Japão se come pouco. Nada disso: come-se muito. Só que os pratos são pequenos e a qualidade e a variedade dos ingredientes, assim como os diferentes tipos de preparo, tornam o ato de comer algo tão surpreendente e prazeroso que mal percebemos quanto comemos. Além de a comida raramente pesar no estômago.
Assim, o Restaurante Tofu convida a saborear as delícias da cozinha japonesa quente e lança a novidade de combinar diferentes sugestões durante o mês de julho para aquecer suas noites.
www.tofurestaurante.com.br / @tofunatal / tel. (84) 32194203.  
Divulgação - clique para ampliar
Adriana Keller




terça-feira, 3 de julho de 2012

Até Carlos Magno baixou em Lourival....

Lourival e o sangue espalhado
Por Carlos Magno Araújo*
Na primeira vez que fui ao Bar do Lourival já não tinha calças curtas. Marmanjo feito, era atraído principalmente por aquela necessidade de, saindo do trabalho, descer correndo uma gelada para espalhar o sangue e aliviar o estresse. Mesmo quando não havia lá tanto estresse, o rumo era o mesmo, principalmente depois do plantão dos sábados.
Quando se tem vinte e poucos, nunca se bebe somente uma cerveja. Tomam-se quatro, cinco, seis, uma grade. O sangue fica espalhadinho que é uma beleza.
Nunca fui de abraçar o garçom, mas se alguma marca o tempo deixasse naqueles engradados empilhados por algum canto lá no fundo, perto do banheiro, provavelmente se encontraria ao menos uma gota do meu DNA, ainda que fosse com o sangue espraiado, já pedindo outra e mais outra.
Seu Lourival não enriqueceria se dependesse apenas dos meus cobres, mas deixei lá, ao tempo que frequentava, alguns bons litros do suor do meu trabalho – do que não me arrependo. Um pouco do que tenho de bom e de ruim talvez tenha até sido talhado durante o tempo em que frequentei aquele balcão, embebido mais de álcool do que da teoria dos livros ou do que explicava a vida.
Fui o cliente típico, entre muitos outros, tangido pelo trabalho como repórter no Diário de Natal, final dos anos 80 e início dos 90. Bastava cruzar a Deodoro, sentar numa mesinha, ver a vida passar e pedir um queijo assado ao Nicodemos – chamado de um bocado de nomes, o Nicó. Até de “Nicoderam”.
Era lá, então, o descarrego. Três ou quatro cervejas depois, começava a ficar rico e engordar o “prego” no Lourival. Seis ou sete depois, estava obrando regras. Depois das dez eu já governava o estado e sabia tudo, da vida e do jornalismo. A cadernetinha muito bem cuidada por ele mesmo, Seu Lourival sempre adicionando. Bom de soma.
Falava-se em política, em futebol, em jornal e até em gente – não necessariamente nesta ordem. Mas do meu tempo de habitué acostumei-me a ver ali no Bar do Lourival o melhor canto para não se falar de nada que pudesse soar mais sério.
Tinha lá uma musiquinha, depois uma TV. Soltava-se uma piada com o Nicó, de praxe, saudava Júnior, Birino, os herdeiros.
Ali, para não deixar a imagem do beberrão que nunca fui, também almocei, no intervalo do trabalho corrido. Há, portanto, certamente, em algum ponto do meu corpo apolíneo uma gordurinha bem nutrida pelo guizado do Bar do Lourival.
Leio que o velho ponto vai se transformar numa clínica. Em breve, no lugar do salão, haverá uma recepção asséptica. De onde estiver, Lourival estará sorrindo, gozador. Depois de encher os clientes de bebida, garantirá agora, no mesmo lugar, o tratamento.
*Carlos Magno é diretor de redação do NOVO JORNAL

Foto: arquivo web/pesquisa Google/Divulgação
JBAnota – Nesse último final de semana, o bar fechou suas portas, definitivamente, após quase meio século, e dois da despedida de seu dono-fundador numa véspera de São João. Lá também já não tinha os assíduos frequentadores que chegavam da Rádio Poti e, posteriormente, a partir dos anos 70, da redação do velho Diário de Natal. Ladeira abaixo, um tempo que se foi, da ladeira, acima da Poti!


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN em 7/03/2012 09:33:00 AM
Resposta rápida
Para: AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo <boscoaraujo1@gmail.com>

sábado, 30 de junho de 2012

Boemia se despede da "Universidade da Deodoro"

Publicação: 30 de Junho de 2012 às 00:00
Tribuna do Norte.
"Tô sabendo, faz um tempinho que não vou por lá, parei de beber, mas vez por outra passo para rever alguns amigos mais resistentes", disse o fotojornalista João Maria Alves, quando questionado sobre o fechamento definitivo do Bar do Lourival.
Rodrigo SenaFechamento do bar põe fim a uma era de boêmia com o Bar do Lourival, que vai virar condomínioFechamento do bar põe fim a uma era de boêmia com o Bar do Lourival, que vai virar condomínio

Ponto de encontro de jornalistas e publicitários, políticos e empresários, intelectuais e artistas, principalmente nos anos 1970, 80 e 90, o lugar encerra as atividades neste sábado (30) após quase meio século de serviços prestados à boêmia natalense.

Administrado há alguns anos pelo filho Lourival Júnior, o imóvel onde funcionava o bar foi vendido e logo deverá servir como endereço para um novo condomínio vertical na avenida Deodoro, em Petrópolis. Chamado carinhosamente de 'reitor' pelos frequentadores, por ter escrito na fachada do estabelecimento 'Universidade da Deodoro', Lourival Lúcio da Silva (1924-2010) criou, sem querer, um 'bunker' etílico que serviu como válvula de escape durante a ditadura Militar.

"Não tinha nada de especial, quer dizer, tinha a gente e o dono, seu Lourival. Fizemos muitas festas por lá quando as eleições do Sindicato dos Jornalistas eram acirradas", lembrou Alves. "O atendimento não era nenhum primor, nem sempre a cerveja vinha na hora, mas tínhamos carinho especial pelos garçons Birino e Nico(demos). Era um lugar para encontrar os colegas, beber cerveja gelada e falar de jornalismo, política, esporte... foi um bar histórico de Natal", recorda João Maria.

Outro que também passou pelo número 270 da Deodoro foi jornalista Ailton Medeiros. Ele acredita que "todo mundo do jornalismo dos anos 1980 e 90 passou por ali. O bar funcionava como uma espécie de sucursal das redações. Como na época não havia celular, os jornais ligavam para o Bar do Lourival quando queria falar com alguém - estava todo mundo lá de plantão". Então, se você foi um habitué ou apenas ouviu falar na fama do lugar, hoje é a última oportunidade de 'tomar uma' no Bar do Lourival.